Furos de viagem :: Peru

Vou contar algumas experiências marcantes de nossas viagens, mas, não aqueles lances que a gente fotografa. Não. Quero contar os suados furos. Já passamos por alguns apuros, constragimentos e verdadeiros sufocos. Vamos começar pelo Peru, quando eu e meu esposo viajamos antes de nosso filho nascer. Ainda não conheci alguém que não goste de viajar. Se existir tal pessoa, posso crer que esta deve ter errado em determinar o destino ou sofrido algum desconforto. Mas eu sou como a maioria, adoro por o pé na estrada.

O Peru era um destino muito almejado. Não apenas pelos seus conhecidos pontos turísticos como Machu Pichu, Cusco e Lima, mas eu estava altamente curiosa por Caral. Conta-se que Caral existiu entre os anos 3.000 a.C e 1.800 a.C. Seus habitantes teriam se dispersado após sofrerem com a seca, doenças e fome. Descoberta em 1905, esta civilização ainda é cheia de mistério. As escavações acontecem atualmente, mas não têm recebido o valor que imagino merecer. Eu tenho uma insistente atração por coisa velha, não consigo conter minha emoção ao imaginar uma civilização que foi contemporânea do Egito, China, Mesopotâmia e Índia, bem aqui a 200 quilômetros de Lima, a capital peruana.

O acesso a Caral não é muito simples. Depois de alguns dias em meio ao caos que é o trânsito por lá, percebemos que alugar um carro seria mesmo uma loucura. Por onde passamos pude crer que os semáforos só servem para turistas mesmo. Os retrovisores dos carros são acorrentados ou presos com grades. Carros costuram outros carros como vemos as motos fazendo aqui em São Paulo, por exemplo. E aquelas filas simples, onde um carro fica atrás do outro, conceito simples de tráfego, em alguns pontos elas não existem. Um carro vai pra cima do outro, buzinando sem parar.

Sendo assim, nós pesquisamos na internet a cidade mais próxima do sítio arqueológico e fomos a pé até onde seria uma rodoviária. Não achamos uma rodoviária exatamente, mas algo como que a garagem de uma empresa de ônibus. Ao, enfim, conseguirmos embarcar, percebemos que era um meio de transporte do pessoal mais rústico que morava afastado da capital. Os sofás eram sujos, a ponto de eu temer encostar num deles para um cochilo – e eu não sou almofadinha. Só faltaram as galinhas pulando entre os bancos. Os passageiros entravam abarrotadas de caixas e coisas, enquanto o ônibus de vez em quando parava em lugares que não tínhamos a menor ideia de quais fossem. Continuamos pela fé. Em algum momento chegaríamos na cidade de destino.

Por fim chegamos, e eu estava necessitando de um banheiro. Nessas horas você entra em qualquer estabelecimento público e descansa na certeza de nunca mais voltar ali. Não encontramos nenhum restaurante mais ajeitadinho e não seria possível esperar mais, acabei pedindo licença numa mercearia com uma cara de paisagem turística.

De lá partimos de táxi para Caral. Passamos por locais bem retirados, fazendas em meio a paisagens desérticas. Quando chegamos a Caral, pedimos ao taxista que nos aguardasse. Foi um passeio mágico. Amei cada parte. Ao voltarmos para a tal cidade, nos despedimos do taxista e tomamos o ônibus de volta a Lima. Uns vinte minutos depois meu esposo dá a falta do celular (foi num tempo antes dos iPhones e dos localizadores).

Ele tinha a certeza de haver deixado o celular no táxi que nos atendeu. Estava decidido a volta para lá, pediu que o ônibus parasse e descemos. Ali, no meio de lugar nenhum, vizinho de qualquer lugar. Que cidade maluca. Todo mundo nos olhava com estranheza. Calor. Poeira. Não sabíamos onde pegar o outro ônibus, quanto custaria, nem nada. De alguma forma chegamos de volta a cidade do táxi, andamos um bocado, fizemos algumas poucas perguntas sem confiar demais ( nos passaram a perna em Lima com notas falsas de troco) e o tal carro estava estacionado no exato lugar em que nos havia deixado. E o celular continuava lá!

Muito aliviados retornamos de ônibus a Lima, estava passando algum filme de ação dublado em espanhol. Acho que isso tornou a coisa um pouco cômica. Em certa altura da viagem pensamos: “Poxa, ganhamos esse celular  de presente e é tão útil. Não poderíamos comprar outro como este e como diríamos que o perdemos? Que alívio. Isso foi mesmo um milagre”. Já era noite quando chegamos em Lima, e percebemos que ao sentar em cima do celular no último trajeto ele havia quebrado.

Pelo menos ficou a aventura de lembrança.

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