Crise dos 30 :: parte 2

Sobre a crise dos 30, porém, primeiramente, tenho de assumir que sofri suas interferências sim. Entendo que essa seja algo como uma crise de identidade tardia. Não passei por isso na adolescência e não sei se todas as pessoas passam por isso, invariavelmente. Conheço muitas que sim, mas acho que isso se dá nos caso de mulheres em contextos similares ao meu, devido a uma junção de fatores.

A chegada da maternidade e as pausas com as quais ela se introduz, levam qualquer mortal a questionar se o que a gente é e faz no momento seria o melhor caminho a continuar, o que construiria dia a dia, afinal, a realização pessoal.

Com um neném dependente em tudo nos braços foi inevitável reconhecer numa rotina despretensiosa o prazer de todos os dias. Foi a hora de pesar na balança todas as ambições profissionais, perspectivas de projeção e prestígio sociais em oposição a uma vida totalmente dedicada ao serviço e à construção de si mesma, sob os lençóis de uma rotina isolada, nada invejada, centrada no reconhecimento calado da evolução de um ser humano e na força da amizade de um companheiro intimo da minha alma.

Tudo a partir de um contexto construído desde muito tempo atrás, desde os sonhos de criança, a idealização de um profundo romance, a edificação de uma família em sólida base, como a que cresci, e, inevitavelmente tornou-se a mais absoluta entre as diferentes possíveis realizações de minha vida.

Fiz planos para deixar tudo e servir no silêncio em meu lar. Fiz planos de deixar tudo isso pra lá e me descobrir alguém superior, surpreendendo a mim mesma, o que não deu certo. E é nessas horas, diante de nossas frustrações e mais amargas decepções que você se encontra consigo mesma e precisa inventar sua própria coragem e reinventar quem vai ser dali em diante e qual postura deve adotar.

A crise dos 30, para mim, é uma pausa, uma reflexão, diante de uma encruzilhada onde me pergunto por qual estrada devo seguir ou se me seria melhor construir uma ponte ou, quem sabe, criar asas. Decidi criar asas, viver nas nuvens. Perceber atividades que me dão o maior prazer, deixar o mundo, me encerrar entre as quatro paredes do meu lar – a maior parte do tempo – e me aventurar nas fronteiras da felicidade, no amor do meu lar, onde as pessoas são tudo umas para as outras.

Nesse pequeno espaço onde o limite é onde alcançam os nossos sonhos, onde cada plano é decidir por uma aventura, repaginar os cenários do ordinário, e viver cada dia já é uma grande surpresa, uma mágica oportunidade de fazer o novo de novo.

Decidimos ser tudo um para o outro, e ser juntos nosso próprio mundo. Não em detrimento do todo, mas para dar sentido a ele. Racionalizando cada passo a partir do coração, e para servir despretensiosamente ao mundo onde vivemos. Dar sentido e cores vibrantes aos seus dias e apontar para um horizonte sem holofotes, mas de corações preenchidos.

:: continua ::

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