Entrevista de quinta :: Sara Campos

Mães que se reinventaram :: Sara Campos

Apresentação

Entre todas as fontes de conhecimento, um bate papo entre mães é uma experiência quase transcendental. A minha maneira preferida de aprender. A Sara é uma dessas mulheres com que a gente quer passar horas e horas conversando e, quem dera, fosse possível absorver um pouco da sua determinação, sabedoria, coragem, e quem sabe até algo do seu currículo de vida. Sara tem talentos impressionantes e com certeza vai surpreender você com sua firmeza de caráter. A leitura dessa entrevista vai mexer com você, minha sugestão é que você leia mais de uma vez. Emocionante e profundo. Com vocês: Sara Campos

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Ficha técnica

Nome: Sara Emanoele Muniz Campos

Idade: 29

Profissão: Designer Gráfico

Nome do esposo: Heberti Ciompela de Almeida

Profissão do esposo: Desenvolvedor Mobile

Nome da filha: Barbara Ciompela Campos Almeida

Idade da filha: 1 (2 meses)

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Quando e por que você decidiu ser mãe?

Quando criança decidi que seria mãe antes dos 30, com a idade que minha mãe me concebeu, 27 anos. O tempo passou, casei e engravidei por coincidência divina aos 27 anos, mesma idade em que concebi a Barbara. Decidi ser mãe para desfrutar o plano que Deus tem para todas nós: formar famílias, o básico com um homem e uma mulher, assim como quando criou Eva para Adão e Adão para Eva. Além disso, vi nessa experiência uma oportunidade de aprendizagem transcendental à qual não poderia recusar. Um crescimento que me aproximaria de Deus diante da grande responsabilidade que é formar uma mente, que me ensinaria a amar e a me doar.

Conte um pouco sobre suas origens. Educação e família.

Meus pais são Adventistas há duas gerações. A educação adventista é pautada pelos princípios da Bíblia, dos quais os cuidados com a saúde são fundamentais. Cresci comendo frutas e verduras, decorando textos bíblicos, ajudando as pessoas e me divertindo horrores com papéis, tintas, tecidos e uma infinidade de materiais de artesanato. Além disso, ter passado as tarde com minha talentosíssima avó Alice e ter vivido numa capital (Curitiba, PR), me proporcionaram intensa e diversificada experiência de aprendizagem. Estudei órgão, piano, flauta, cerâmica, escultura, teatro e administração.

Meu pai foi construtor civil, minha mãe educadora infantil da rede municipal, eu poderia dizer ‘pedreiro’ e ‘babá’, mas minha mãe sempre me ensinou as melhores palavras para definir o mundo. Cresci vendo os dois lerem a Bíblia e diversos livros diariamente, além de ouvir as discussões filosóficas homéricas do meu pai. Os dois cantavam, por isso minha casa sempre teve muita música. Infelizmente, além da música ouvi incontáveis discussões que os levaram ao divórcio por volta dos meus 10 anos. Entretanto, o que aprendi, aprendi… e com a ajuda de muitos, principalmente Deus, cheguei aos 20 anos formada na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), a segunda universidade mais concorrida do estado, no curso de Design Gráfico, curso cuja escolha foi submetida e orientada por Deus. Sempre estudei em escolas públicas, dessa forma me recusei a buscar outra alternativa para minha formação superior.

Fui separada dos meus irmãos mais velhos por conta do divórcio, adolesci longe da Elaine (33) e do Wesley (34), convivi apenas com a Lu (26).

Quando saí de Curitiba, aos 21, para trabalhar em Tatuí, numa editora, decidi deixar de consumir carne em busca de uma experiência mais profunda com Deus e com suas demais criaturas.

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Como era sua vida profissional antes de ser mãe?

Eu trabalhei fora desde os 14 anos. Já passei por 8 empresas. Por 9 anos atuei como designer gráfico. Desses, os últimos 6 anos foram na Casa Publicadora Brasileira, uma editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Dessa forma meus horários e o trabalho eram coerentes com meus princípios e estilo de vida. Acabei por me especializar em fazer e vender livro.

Qual foi a maior surpresa que a maternidade lhe trouxe?

A possibilidade de me reinventar de forma sem precedentes. Quero dizer que sem a Barbara em minha vida eu seria incapaz de ser a artista equilibrada e humana que me tornei.

Conte um pouco sobre suas habilidades e como gosta de conduzir sua casa.

Desenho, pinto, costuro, bordo, faço crochê e tricot desde criança. Mas hoje prefiro apenas desenhar e pintar. Detesto limpar a casa, mas odeio mais ver a casa suja. Não gosto de cozinhar, mas acho inadmissível comida com gordura demais, sal, conservantes, glutamato de monossódio, queijo, carne, leite… sendo assim, vivo no fogão. Minha casa tem uma rotina na qual todos acordam cedo entre 6 e 8h. Fazemos o culto em família pela manhã lendo a bíblia, cantando uma música que nos lembre como Deus é bom, e orando por nossos queridos. Nosso desjejum é de aveia com frutas. Fazemos outras duas refeições durante o dia, sendo que a última não passa das 19h, tudo sempre com cereais integrais e muitos vegetais. Em casa sou rígida com a alimentação qualidade e quantidade. Por muitos anos me entreguei ao prazer da glutonaria, hoje percebo nesse vício a raiz de muitos males dos quais o principal é a falta de controle emocional, que também adoece o corpo. Glutonaria dá doenças pelo excesso de alimento, pelo desgaste do corpo em digerir, pela quantidade de entorpecentes que ingerimos ficando num estado constante de intoxicação como se estivéssemos dopados. Sendo assim, quando a Barbara me pediu chocolate pela primeira vez eu optei por abandonar o consumo de açúcar e leite, pois não desejo para minha filha as mazelas que esses hábitos alimentares causam. É claro que é mais difícil para mim esse novo estilo de vida do que para ela, que é muito feliz comendo frutas e legumes, gosta inclusive de jiló e beringela, entretanto me sinto livre para permiti-la experimentar o que queira se eu achar conveniente. A Barbara não toma leite algum, depois que parei de amamentar ela bebe água e se alimenta com porções do tamanho de um adulto (moderado não guloso), quatro vezes ao dia. Nos reunimos no fim do dia para cantar e orar novamente quando a Barbara vai dormir. Ela dorme 12 horas por noite e 4 horas durante o dia, isso me ajuda a organizar a casa e a carreira. Para essa disciplina do sono apliquei um método que aprendi com uma encantadora de bebês e graças a Deus desfruto suas horas de soneca desde que ela tinha 3 meses de vida.

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Qual era o plano sobre sua carreira antes da Bárbara, você conseguiu executar? Imaginou que seria diferente a forma de conciliar trabalho e filha?

Meu plano era seguir minha carreira como ilustradora tendo uma linha de produtos bíblicos. Hoje sou ilustradora, estou desenvolvendo uma linha de produtos infantis bíblicos, além disso faço retratos em aquarela e, esporadicamente faço trabalhos freelance de design e ilustração. Eu não fazia a menor ideia do que seria conciliar trabalho e filho. Achei que seria simples quando, aos 16 anos decidi irremediavelmente criar meus filhos trabalhando em casa. Quando a Barbara nasceu precisei trabalhar remoto para a editora por um mês antes deles, gentilmente, me demitirem. Trabalhei 8 horas por dia, quase morri de tristeza por não ter tempo de brincar com a Babara, foi quando decidi que precisava encontrar algo que me desse plena satisfação e um bom retorno financeiro para as poucas horas que tenho para trabalhar diariamente.

Você concorda que a maternidade é uma oportunidade de se reinventar? Por que? 

A maternidade é uma oportunidade de se reinventar pois o empoderamento materno nos preenche. Não sentimos mais aquela fragilidade e dependência emocional da condição de filhas. A condição de mãe nos enche de vigor, e diante de nossa prioridade natural, que é cuidar da prole, nos sentimos coagidas e motivadas a ir além e ensiná-la a vencer. O nascimento do filho está impregnado da renovação, nos sentimos jovens e plenas como nunca, capazes de realizar tudo o que sonhamos e muito mais. Pois viver o nascimento de um ser traz o desejo de realizar. É impossível assistir o desenvolvimento do bebê e permanecer passivo, sem desejar aquele progresso incrível para si.

Você acha que se reinventou? 

Absolutamente. Não há algo que eu não tenha mudado. De maquiagem, unha, cabelo, roupas, alimentação, carreira, espiritualidade, sexualidade… Eu decidi equalizar tudo, abandonei e criei hábitos a fim de ser mais feliz e de ser a mulher que a Barbara vai desejar ser. Embora por vezes ignoremos esse fato, a figura feminina dos filhos é a mãe, sendo assim eles desejarão todas as nossas virtudes e excessos, decidi trabalhar ardorosamente nos meus excessos. Senti como se fosse aquela adolescente vigorosa e cheia de sonhos outra vez.

A maternidade fez bem para você, profissionalmente? Por que?

Antes de ser mãe sentia como se já estivesse chegando ao fim, tinha vários sonhos ainda, mas não tinha motivação para persegui-los. Assistir o surgimento de um ser humano e seu desenvolvimento espetacular me encheu de coragem para ser a mulher que eu sempre sonhei. Percebi que era tão difícil para a Barbara andar como seria para eu estabelecer minha marca como ilustradora, mas ela não desistiria até andar, e correr e sabe lá mais o que; como seu exemplo, o mínimo que eu poderia fazer era trabalhar para realizar os meus sonhos. Afinal enquanto estamos vivos podemos nos reinventar a todo instante.

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Qual é a sua ocupação hoje? 

Hoje sou ilustradora, estou desenvolvendo uma linha de produtos infantis bíblicos, além disso faço retratos em aquarela e, esporadicamente faço trabalhos freelance de design e ilustração.

Como funciona sua empresa?

Eu que mando (risos). Trabalho quando a Barbara dorme, seja dia ou noite. Quando tenho algo para fazer que ela possa acompanhar faço questão de carregá-la para que aprenda como é gostoso trabalhar como a mamãe: sem chefe e com a família.

É possível ser realizada como mãe e profissional ao mesmo tempo?

Muito mais do que se possa imaginar. As mães que optam por permanecer em seus empregos não fazem ideia da plenitude como mãe e mulheres que estão perdendo.

Acha que existe um caminho para chegar lá? 

Absolutamente. Primeiro precisamos decidir, em segundo lugar precisamos do apoio do esposo; pois ele passará a ser o provedor principal, o ideal é que a casa não dependa da renda da mulher; o terceiro passo é decidir o que fazer para obter renda, satisfação e flexibilidade de horários; esse terceiro passo é um processo de auto-descobrimento, mas pode ser auxiliado conversando com Deus, contar a Ele o que queremos e pedir a Ele que nos ajude. Pois Deus é tremendo, eu jamais vou esquecer da minha prova de fé e do milagre que a sucedeu para que eu realizasse meu sonho de ser mãe e artista simultaneamente.

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Você acha que uma mulher precisa se sentir realizada profissionalmente para ser uma mãe realizada?

Acho que não. Todas as mães que conheço que educaram seus filhos em casa se descobriram profissionalmente na companhia deles. Elas tinham conhecimento de suas preferências mas foi a maternidade que as direcionou para suas histórias de sucesso profissional. A maternidade está em outro nível, não se compara à profissão. A profissão deve estar à serviço da mãe assim como os demais aspectos da mulher. Nada deve estar acima da maternidade, em tudo deve haver perfeito equilíbrio para que satisfeitas façamos do nosso lar um lugar de paz, terno amor e suave alegria.

Dê algumas dicas para mães que pensam em ser empreendedoras. Funciona com todo mundo?

Bom em primeiro lugar DECIDA estar em casa, em segundo lugar TRABALHE para isso acontecer, por exemplo, convencer o marido, encontrar uma atividade remunerada que possa conciliar a maternidade, enfim… planejar a realidade. Mas no que eu acredito mesmo é Deus, o que eu fiz foi ORAR para ter coragem de abandonar o que eu era e pedir para Deus me refazer.

O que mais traz realização para você?

Ver a Barbara sorrir todos os dias quando eu vou acordá-la, entender que ela está feliz e perceber ela querendo me contar mil coisas assim que abro a porta como se fossemos grandes amigas e há muito ela não me visse.

Quais são seus sonhos como mulher daqui para a frente?

Controlar todos os meus excessos e ser equilibrada para proporcionar alegria à minha família e a todos ao meu redor. Estar sempre aos pés de Jesus para perguntar a Ele o que quer de mim. Acredito que o desfecho desse mundo está iminente e quero ser ativa na divulgação do amor de Deus por meio do voluntariado, da pintura e da pregação do Evangelho. Estou envolvida em um projeto junto ao CAPES no ensino de aquarela para ex-dependentes químicos, além disso gosto de distribuir alimentos a moradores de rua regularmente, enfim são ideias daquilo que quero continuar para mim e para a Barbara. Além disso quero pintar na rua, um projeto de quando eu era adolescente que finalmente poderei realizar em breve. Pretendo vender aquarelas na rua ou pintar e direcionar a renda da pintura à caridade, é algo no que estou pensando.

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Quais são seus sonhos como mãe daqui para a frente?

Alfabetizar e proporcionar a Educação Infantil e parte do Fundamental I em casa até a Barbara completar 7 anos. Inventar mil preparos de comidas saudáveis. Ser equilibrada, assim, ao me imitar, a Barbara não se prejudicará.

Baseado em tudo o que viveu desde a chegada de sua filha, que ponto você achou mais difícil?

Os primeiros quinze dias. Onde você é obrigada a se reinventar num ritmo freneticamente estonteante e você escolhe o que vai ser: uma nova mulher e se reinventa por completo focada na maternidade, ou adaptar a mulher de antes com o trabalho e todas as outras coisas.

Deixe uma breve mensagem para mães que vivem num contexto semelhante ao seu.

Meninas! Não desanimem! Deus é um pai de amor extremo que pode abrir o mar se necessário para que seus amores atravessem no seco. Mas nunca devemos nos esquecer de que, diante do Mar Vermelho, quando Moisés clamou a Deus vendo o povo encurralado com o mar à frente e os soldados egípcios atrás, Deus calmamente respondeu: “Diga ao povo que marche”. Então, com a água pelos tornozelos, de repente Israel contemplou o mar se abrir.

Aprendi que Deus pode realizar sonhos esquecidos, curar feridas de infância, curar doenças, ensinar, paparicar e mimar a todos os que decidem acreditar. Quando deixei de trabalhar eu tinha uma pequena economia e sabia que quando ela acabasse dentro de 5 meses, eu passaria fome. Eu sofri por um mês com essa certeza, mas estava disposta a abrir mão de qualquer coisa para estar com a Barbara e educá-la. Acontece que no dia em que eu assinei minha demissão eu já tinha um trabalho encomendado, e veio outro, e outro, e depois para meu marido… e hoje temos muito muito muito mais do que aquela pequena economia. E quando menciono ter mais não me refiro a posses, pois hoje vejo com tremendo desdém essas coisas todas às quais a gente se apega como mulheres. Desfrutamos algo ímpar que é vivermos todos juntos em casa, cada um com seu trabalho desfrutando cada pequena descoberta da nossa filha… União, amor sem limites e equilíbrio, é o que temos desfrutado desde que decidimos confiar. Deus é o soberano do Universo, não há nada que você possa querer que Ele não possa te dar de sobra.

Conheça a Sara:

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2 comentários sobre “Entrevista de quinta :: Sara Campos

  1. Parabénsss,vc está cumprindo a maior,melhor e nobre missão de ser mãe e mãe presente!Que Deus continue a te iluminar em todos os teus sonhos e desafios querida!
    Com certeza,a Barbara qdo entender tudo,ela vai querer seguir os teus passos.

    Curtido por 1 pessoa

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