Entrevista de quinta :: Debora Matos

Mães que se reinventaram :: Debora Matos

Apresentação

Costumo dizer que a Debora foi uma das melhores coisas que o Instagram me trouxe (risos). Descobri essa pessoa colorida, cheia de filhos (acho o máximo), moderna, positiva, engraçada, aventureira e cheia de qualidades. De repente nos tornamos amigas e descobri que por trás dessa cara de mulher vencedora, existe uma mulher vencedora! A maternidade não foi planejada, mas em cada uma das três vezes que ela chegou, Debora decidiu arriscar e tudo valeu a pena. Pra você se emocionar e tomar nota, a entrevistada de hoje: Debora!

Liz&De
Debora (dir) e sua cunhada Liz (esq), sócias na empresa familiar Beterraba :: Foto Liz Perez Fotografia

Ficha Técnica

Nome: Débora Wenceslau Matos

Idade: 36 anos

Profissão: Designer 

Nome do esposo: Lucas Guioti da Silva

Profissão do esposo: Médico

Nome dos filhos: Elina Isabel, Laura Amélie, Benício

Idade dos filhos: 14, 9, quase 2

Quando e por que você decidiu ser mãe? Como era sua vida naquela época? 

Morávamos no México, Lucas estudava o 4 ano de medicina e eu meu último semestre de Comunicação Visual, na Universidade de Montemorelos (que foi onde nos conhecemos).  Eu tinha 21 anos de idade quando engravidei da Bebel. Lucas e eu éramos namorados ainda e tivemos que dar a notícia para a família por telefone. Foi muito constrangedor para nós dois ter que ligar para nossos pais e falar da gravidez, mas tanto Lucas quanto eu, recebemos amor incondicional por parte deles. As frases mais marcantes que ouvi do meu pai foram: “Não chore minha filha, não é morte, é vida!”

 “É na dificuldade que descobrimos os nossos amigos, e eu além de ser seu pai, sou teu amigo!”

Lembro desse dia como se fosse hoje! Minha sogra disse: “Débora agora é nossa filha!” Foi nesse clima de vergonha, mais de muito amor que descobri que seria mãe pela primeira vez. Assim que, vim para o Brasil, nos casamos e dois meses e meio depois nasceu nossa primogênita, rodeada de mimos e cuidados, e nós dois inseguros e aflitos com nosso futuro.

Você sempre quis ter três filhos? Planejou a diferença de idade entre eles?

– Não (risos)! Apesar do amor que recebemos no nascimento de Bebel, tudo era longe de ser o ideal. Morávamos na casa dos meus sogros, dependíamos financeiramente deles e não sabíamos como seria dali pra frente. Então, decidimos por um longo tempo que Bebel seria filha única. Voltamos para terminar os estudos no México e quando Bebel tinha 4 anos de idade ela questionou o fato de não ter irmão ou irmã. Como nós dois já estávamos exercendo nossa profissão, e a vida parecia boa e estável, achamos que era uma boa hora de deixar de lado a ideia de filha única. E foi assim que Lalá nasceu (lá no México): amada por sua irmã, planejada por nós dois e com muitas certezas com relação ao futuro. Estávamos tão felizes que 2 dias depois do nascimento da Laura já sonhávamos com o terceiro filho. Mas aí voltamos para o Brasil, Laura com 4 meses e Bebel com 5 anos, e a vida voltou a ser incerta e difícil. Lucas precisava revalidar o diploma e isso levou quase 4 anos, neste período eu trabalhava no setor da Arte numa editora [da minha igreja], e tinha plena convicção de que faria isso o resto da minha vida, porque eu realmente amava fazer livros e tinha – e tenho – um sentimento gigantesco de gratidão ao Senhor e o que eu mais queria era trabalhar pra Ele. Imagina se eu ia querer ter outro filho? Sem chance! Mas aí, Benício veio como cereja do bolo, aos 34 anos, fora de hora, Lalá com 7 anos de idade e eu estava em casa cuidando das meninas a 3 anos e trabalhando como freelancer da editora.

Momento família
Parte da rotina da família em sua primeira casa no México, quando Lucas era estudante de medicina

Como era sua vida profissional antes de ser mãe? 

Tive que concluir os estudos carregando Elina [Bebel] comigo para sala de aula e para o trabalho.  Ela tinha 1 ano e pouquinho. Eu trabalhava numa gráfica no centro da cidade de Montemorelos (México), fazia notas fiscais, cartões de visita, flyers, essas coisas. Foi um trabalho enviado por Deus, a dona bateu na porta da minha casa pra perguntar se eu poderia ir trabalhar pra ela e, justamente naquela semana, estávamos apavorados sem saber como iríamos pagar o aluguel e com que dinheiro compraríamos comida. O salário da gráfica correspondia exatamente às nossas necessidades, tinha um chiqueirinho pra minha filha, não tinha horário fixo e eu podia ir embora quando terminasse o serviço. Uma benção mesmo!  Mas depois de alguns meses tive que conciliar a gráfica e a faculdade, e na faculdade me ofereceram bolsa de estudos para ser assistente de um projeto de livros de Ensino Religioso para a Divisão Interamericana [região administrativa da Igreja Adventista], e pra todo lado lá ia Bebel comigo…

Qual foi a maior surpresa que a maternidade lhe trouxe? 

Percebi que cada filho me fez desenvolver novas habilidades. O nascimento de cada filho vem como uma folha em branco, os desafios são outros, é uma nova história e você precisa de força e sabedoria diferente para cada um deles.

Como conciliou trabalho e maternidade com a chegada de cada um dos seus três filhos? Poderia dividir em etapas, ou foi mais ou menos a mesma coisa? 

Bebel ficou comigo até os 2 anos e meio, entre faculdade e trabalho. Depois ela foi pra creche por período integral. Quando Laura nasceu tive apenas 15 dias de descanso e logo voltei a trabalhar. Ela me acompanhava no carrinho de bebê. Não durou muito e tive que fazer Home Office, mas o trabalho era intenso e eu não tinha muito tempo exclusivo para ela, e isso a deixou muito independente. Quando ela fez 1 ano de idade, eu já estava trabalhando na editora e Lucas era quem ficava em casa e cuidava dela e da Bebel. Isso seguiu por longos 3 anos. (Laura era uma menina muito insegura e constantemente rejeitava minha companhia, era muito doloroso pra mim) Benício nasceu no momento “quase perfeito”, diria eu. Lucas tinha um emprego estável, Elina Isabel com 12 anos, cheia de alto estima e independente, Laura Amélie com 7 anos, doce e prestativa, e a mamãe aqui fazendo um home office super relax.

Você concorda que a maternidade é uma oportunidade de se reinventar? Por que? 

Sim. A maternidade constantemente me faz ver as coisas desde outro ponto de vista, inclusive minha própria vida.

Você acha que se reinventou? 

Com certeza! Continuo sendo a mesma, ainda exerço a mesma profissão, só que de uma maneira totalmente diferente ao que eu estava habituada.

Em que momento você teve o insight sobre a carreira / ocupação ideal para você? 

Sabe que não faço ideia do momento exato? Uma coisa foi levando a outra. No momento me sinto amarrada a muitas áreas do design e do marketing e confesso que às vezes me sinto um pouco perdida. Mas tenho aprendido muito e quero crescer cada vez mais nas duas áreas.

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Além de ter que coordenar a empresa, também criei toda a imagem visual da marca, inclusive a loja virtual com suas propagandas, textos e tudo mais; também produzo em parceria com minha cunhada, Liz Perez, todos os produtos e as fotos para promovê-los. Alimento as redes sociais e respondo aos comentários dos clientes e os emails. Também faço a contabilidade. Socorro (risos)!

Qual era o plano sobre sua carreira antes dos filhos, você conseguiu executar? Imaginou que seria diferente a forma de conciliar trabalho e filhos? 

A única coisa que eu tinha certeza absoluta era que eu queria trabalhar para Deus de alguma maneira. Queria, e ainda quero, que minha profissão seja relevante na missão que o Senhor nos deixou.

Precisou inverter a ordem das coisas na sua vida? O que decidiu priorizar, e de que forma fez isso? 

Por haver começado tudo de trás pra frente, acabamos demorando um pouco para estabilizarmos nossa vida. Mas sinto que Deus conduziu tudo desde que colocamos nossa família em Suas mãos, e foi nos dando sabedoria para superar todas as dificuldades que surgiram.

O que mais traz realização para você

Ver meus filhos superar seus próprios desafios e ser eu quem está conduzindo essas pequenas vitórias, é uma das coisas que mais traz satisfação pra mim. E é claro, conseguir exercer minha profissão de forma simultânea a tudo isso.

É possível ser realizada como mãe e profissional ao mesmo tempo? Tem como ser realizada em uma dessas áreas independente da outra? 

No dia a dia mesmo me sinto muita vezes culpada e tenho a sensação que não faço bem nem uma coisa nem outra. Mas quando vejo Bebel, que é minha filha mais velha, imperfeita, cheia de dramas e desafios, mas com esse jeito doce de ser, com seu olhar puro, com sua vontade de fazer apenas o que é certo e desenvolvendo habilidades para conseguir essa proeza, então sinto que estou fazendo um bom papel como mãe, que não foi em vão que vim pra casa, mesmo ela já estando com 9 anos de idade, que

valeu à pena ter sido criticada por abandonar minha carreira de designer editorial e hoje me sinto ainda mais completa como profissional.

Acha que existe um caminho para chegar lá? 

Creio que ao tomar essa decisão de cuidar dos filhos e empreender, devemos estar conscientes que por algum tempo teremos limitações. Se não, perderemos o foco do objetivo real que é não terceirizar a educação dos filhos. Se você começa a precisar dedicar mais tempo ao trabalho que às crianças, se passa a ficar irritada e neurótica com elas por estar estressada com tantas atividades, então voltar pra casa, ser uma mãe empreendedora, deixou de ser um bom negócio. Penso muito nisso!

A "creche"
Laura, Benício e Elina, a “creche” de Debora  :: Foto Liz Perez Fotografia

Quais são seus sonhos como mulher daqui para a frente? 

Conseguir exercer com sabedoria todos os papeis que assumi na vida: esposa, mãe, amiga e atualmente empresária (risos) – acho engraçado dizer isso! – mas acima de todos eles, espero não decepcionar meu Deus em nenhum desses papeis.

Quais são seus sonhos como mãe daqui para a frente? 

Ver meus filhos um por um se tornarem pessoas de bem, de caráter, capazes de amar ao próximo e obedientes ao Senhor sob qualquer circustância.

Baseado em tudo o que viveu desde a chegada dos filhos, que ponto você achou mais difícil? 

Tomar a decisão de parar de trabalhar na empresa foi pra mim, a mais difícil que já tomei. Lembro bem quão pouco apoiada fui por amigos próximos, muitos diziam que eu me arrependeria de abandonar minha carreira. Foi angustiante. Mas logo que cheguei em casa, comecei senti uma paz que a anos eu não sentia…

Deixe uma breve mensagem para mães que vivem num contexto semelhante ao seu. 

Tenha sempre em mente quais são suas prioridades na vida e se possível enumere-as em ordem de importância, depois disso, busque de todas as maneiras possíveis não alterar essa ordem.

 

Conheça a Débora:

@beterraba

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O que achou da entrevista? Deixe seu comentário abaixo.

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7 comentários sobre “Entrevista de quinta :: Debora Matos

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