Trabalhar fora. Sim ou não?

Está grávida e repensando suas prioridades? Quem sabe o neném já chegou e você não se vê retomando a rotina no trabalho. A maternidade a fez repensar se sua atividade não lhe traz o prazer que você imaginou a princípio?

Vou ajudar você a pensar e repensar sobre o seu trabalho. Vamos tentar descobrir juntas se você vai se sentir mais realizada em casa ou mantendo um trabalho fora. Quem sabe a maternidade chegou para abrir a porta dos seus sonhos profissionais, ao contrário do que você possa estar imaginando à essa altura.

Papel e caneta

Pegue um papel e uma caneta aí e vamos lá! Rascunhe o que te faz feliz. Coisas simples como, acordar com a luz do sol no meu rosto ou costurar. Coisas complexas como, fechar o balanço da empresa no final do mês ou viajar a trabalho. Agora, enumere por ordem de prazer. Em primeiro lugar estará uma atividade que você não saberia viver sem.

Vamos para a segunda lista. Aleatoriamente escreva quais são as suas prioridades: religião, missão como ser humano, família, desafio na empresa, casamento, educação dos filhos, acompanhar o crescimento dos filhos de perto, metas profissionais, esse tipo de coisa. Depois coloque em ordem de prioridade, o mais importante primeiro.

Cuide em não escrever essas duas listas com o coração, tente ser o mais racional possível.

Analisando

Avalie detalhadamente o que você acabou de colocar no papel. Sugiro que você avalie depois de alguns dias, mais de uma vez. A essa altura você já vai saber se é uma pessoa que não consegue viver sem trabalhar. Mas aí vem uma questão muito importante, sua condição financeira familiar permite você tirar uma licença do trabalho remunerado? O salário do seu esposo dá conta de pagar todas as contas no final do mês?

Muito provavelmente vocês terão de identificar o que vai ter de mudar na rotina de vocês. Viagens, compras, restaurantes, aluguel, cursos. Quanto custaria uma creche, babá ou escola para o seu filho/s ? Você conseguiria viver num estilo de vida mais simples? Compensa trabalhar e usar boa parte do salário para terceirizar o cuidado do seu filho/s? Vai pensando… com calma.

O que fazer o dia todo com as crianças?

Quem sabe você pense: “Mas o que eu vou fazer com uma criança o dia inteiro? Nunca fiz isso, não sei nem por onde começar”. Vou dar algumas dicas abaixo, mas, acredite quando eu digo, isso não vai ser um problema tão assustador quanto parece agora.

  • parquinhos
  • andar de bicicleta (ele sozinho ou na cadeirinha da sua bike)
  • cozinhar juntos (um bolo ou biscoitos)
  • receber amiguinhos
  • visitar amigas com filhos
  • passear na cidade (feiras, pontos turísticos, zoo, museus, planetários)
  • ir ao mercado (sim, será um evento)
  • piscina (quem sabe aulinhas de natação)
  • craft (papelaria, recortes, desenhar)
  • aulinhas (revistas de atividades ajudam muito e você pode fazer leituras e introduzir letras e números com um mínimo de material)
  • jogos (depende da idade, mas jogo de memória, quebra cabeça, UNO, dominó infantil podem ser jogados por crianças de 3 anos)
  • vídeos selecionados
  • ver filme juntos
  • Google (sempre ajuda a variar)

Uma agenda pode ajudar até pegar o jeito. Mas o dia passa rápido. Só de acordar, refeições, momentos de leitura, culto familiar (eu amo!), já vai bastante tempo. Se o seu filho for muito pequeno valorize o tempo que ele passa brincando sozinho, tente incentivar. Use menos recursos tecnológicos, isso vai favorecer o desenvolvimento da concentração. Ensine-o que você precisa fazer o almoço e precisa fazer isso sozinha (na maioria das vezes), ensine-o sobre privacidade, mesmo que você a use apenas por poucos segundos, ensine-o sobre o dia da faxina, um dia que ele precisa se entreter mais tempo sozinho porque você precisa trabalhar – e delegue pequenas tarefas, mesmo que ele mais atrapalhe do que ajude, a princípio.

Insira atividades que você gosta. Pesquise uma receita que você vai ter prazer em preparar e comer, quem sabe algo especial para o esposo também. E se permita deixá-lo ver um vídeo mais longo quando você precisar de mais concentração.

Aqui em casa eu não gosto de deixar nenhuma atividade da casa para depois que Noah dorme à noite, sempre tive problemas com isso. Gosto de DSCF0019sentir que farei o que eu decidir fazer a partir daquela hora. Quando meu filho dormia à tarde eu tentava organizar tudo para poder tirar uma sonequinha também, acho que me ajudou a manter o juízo.

Permita-se! Você é quem manda agora, não tem chefe, não tem cobrança nem horários além daqueles que você mesma estipula. Então, construa dias felizes, onde você encontre prazer. É possível que você canse de ficar demais em casa, então saia! Vai passear, emenda o passeio no mercado. Às vezes você vai cansar de sair, vai desejar ter tempo para colocar suas coisinhas em ordem com calma. Faça isso também.  Tente relaxar e lembrar que sua liberdade é muito mais sua assim do que se estivesse trabalhando.

O que fazer se trabalho fora?

Não pretendo dogmatizar você, leitora, a que deixe seu trabalho e se torne “do lar” (polivalente) como eu. Acho essa uma escolha muito pessoal, estritamente. Reconheço que para a maioria essa não é uma escolha, mas o trabalho torna-se uma obrigação devido as contas que chegam na casa de todo ser humano no final de cada mês. Não se sinta culpada caso seja esse o caso.

Mas se você trabalha fora, é possível que o trabalho roube a energia que você gostaria de dedicar às crianças. Acho que organizar bem os horários pode ajudar muito, mesmo parecendo uma tarefa meio tola. Separe um momento do dia em que você esteja totalmente desplugada do mundo, desligue o celular, relaxe da vida e concentra na cria. Depois você retoma o caos.

“Relaxe da vida e concentre na cria”

Ir ao parquinho, deixar ele brincar com os amigos, passear, acho ótimo e todos vão amar. Mas reserve esse momento para você e ele (inclua o pai se possível). Se for no parquinho, que ele sinta você envolvida na atividade. Uma horinha por dia, é possível? Quem sabe seja bem nessa hora que você precise dar uma dura nele/a, disciplinar, colocar algumas coisas em ordem na cabecinha dele, encorajo você a não deixar de fazê-lo. Só sugiro que acalme o clima antes do beijinho de boa noite, para você poder descansar de fato quando for a sua vez de dormir.

Agendem passeios em família. Coisas simples, nem que seja um piquenique no quintal. Serão momentos inesquecíveis.

Nova perspectiva

Se trabalhar em casa é uma opção para você quero dizer uma última coisa, de todas as mães que conheço que fizeram essa escolha, nenhuma se arrependeu. Acho que a maternidade é a etapa mais perfeita da vida para uma mulher se reinventar e se descobrir. A gente enxerga as coisas a partir de outro prisma. É aquela hora que você pensa: “Caramba! Cursei contabilidade mas acho que não era bem isso que eu queria. Eu gosto mesmo é de cozinhar!”, e a partir daí torna-se possível traçar metas que casam com seus sonhos. Isso, enquanto você constrói uma rotina onde o epicentro é seu filho, sua família, sua equipe.

Coloca na balança aí, quais seus sonhos mais malucos? Não é uma boa hora de transformá-los em planos? Quem sabe começando devagar, testando suas nuances, treinando suas habilidades, evoluindo para um sucesso que você vai poder chamar de seu.

Minha experiência

Eu nunca programei parar de trabalhar. Era assessora de comunicação em uma instituição, e, mesmo antes de ser mãe, praticava o home office. Ainda assim, com a chegada do meu filho, com refluxo, extra dependente exclusivamente de mim, precisei repensar. Fiz a cobertura de eventos com ele no canguru, antes de completar 6 meses de idade. Foi tudo uma grande aventura, mas decidi arriscar.

JeanneEscolhi um seguimento da minha área, a fotografia. Saí do meu emprego e troquei todos os benefícios por uma câmera. Não me arrependo. Mas encerrei este ciclo também, porque nesse ínterim percebi que um dos meus maiores sonhos, que eu jamais me atrevi a sonhar para mim, estava se materializando em minhas mãos. Me tornei escritora.

Queria eu ter sonhado com isso desde menina e minha vida teria sofrido muito menos curvas, mas jamais conseguiria essa cabeça maluca, inquieta e experimentada em aspectos dos quais eu sempre fugi. Nessa bagunça toda eu me descobri. Nessa bagunça toda, eu me tornei quem sou. Me tornei essa que me orgulho em ser. Me orgulho em aperfeiçoar.

Sabe o que eu quero para o futuro? 

Mais filhos

Menos horas de sono

Mais aventuras

Menos dinheiro (futilidade e consumismo)

Mais simplicidade

Menos complicações

Mais natureza

Menos cidade

Mais amigos

Menos superficialidade

Mais livros

Menos facebook

Mais família

Menos chefes

Mais refeições

Menos calorias

Mais experiências

Menos conformismo

 

Rubem Alves, ícone da literatura brasileira, conta que uma vez um garoto o interrogou sobre como teria planejado sua vida para chegar onde chegou. Ele responde que chegou onde chegou por que tudo que planejou deu errado. Quem sabe, então, se você já coleciona uma série de tentativas e desacertos, a próxima porta reserve sua glória.

Ps.: Esse é um texto bem diferente dos de sempre. Não gosto desse tom de ensinar, dar dicas e passo a passo. Não sou a super Nanny nem uma ultra expert. Mas fiz isso aqui como faria a minha irmã, ou a uma amiga muito chegada. Não acho que seja determinante, mas, de coração, torço que ajude você nesse profundo dilema. Sobretudo, seja feliz no pouco, no simples, gaste suas energias no que te faz bem. 🙂

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3 comentários sobre “Trabalhar fora. Sim ou não?

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