Estratégia de estudo e aprendizado

Eu não me imaginava voltando para sala de aula, mas nada como o tempo para fazer a gente mudar de opinião. Voltei para a sala de aula, com 31 anos de idade, e foi pra valer. Um curso intensivo em Inglês numa Universidade Adventista nas Filipinas. Me deparei com uma rotina insana de estudos, intenso no âmago de seu significado.

Do outro lado do mundo conheci uma pedagogia totalmente nova. O jeito de ensinar, de avaliar, de acompanhar o aluno. Um sistema, para ser honesta, bem mais eficiente do que tudo que eu já havia conhecido até então. Minha professora era espetacular, uma mulher russa, sistemática e absurdamente inteligente.

Minha turma já estava adaptada. Muitos estavam fazendo o curso pela segunda, terceira e até quarta vez. Quem chegava pela primeira vez, já havia passado pelas classes anteriores e já dominava o sistema. Eu, para completar, cheguei com duas semanas de atraso.

O desespero me tomou de assalto nos primeiros dias. Todos aqueles programas online usados pela professora eram complexos demais para mim, eu pensei, “Preciso dar um jeito nisso, ou não vou dar conta”. Fazer o curso pela segunda vez seria uma imensa decepção. Somado a isso, todo mundo dizia que “eu ia dar conta fácil”. Pra completar a pressão que eu já impunha sobre mim mesma. O que fazer?

Tirei notas muitos baixas na primeira semana, o que me deixou muito mal. Mas não tinha como ser diferente, não sabia o método de avaliação e muito menos o conteúdo. Meu colega de mesa informou que acordava todos os dias as 2 horas da manhã para tentar dar conta. Aí percebi que eu deveria mexer com toda a minha estrutura de vida para chegar onde eu queria. Seriam dois meses de aulas, manhã e tarde, e o resto do tempo eu precisava fazer as tarefas de casa, trabalhos, pesquisas e estudar para as provas. Tudo novo!

Lembrei de uma estratégia que havia aprendido com meu pai ainda no Ensino Básico, e tudo precisava girar em torno disso. Eu precisava ir mais rápido que o professor. Como assim?

Como eu não dava conta dos sistemas, não poderia deixar as tarefas para cima da hora. Se eu não me adiantasse, não teria tempo de corrigir, refazer ou adaptar as atividades, o que comprometeria meu desempenho.

A solução era, assim que a professora lançasse as matérias e atividades da próxima semana, eu tinha que correr e completá-las o quanto antes. Ela geralmente liberava na quinta ou sexta-feira as atividades da próxima segunda e terça, por exemplo. Meu fim de semana estaria comprometido com isso.

Domingo era dia para aproveitar a família, brincar juntos, passear. Então, mesmo aos domingos eu acordava 4 da manhã, e cada horinha disponível eu voltava para o computador. Meu alvo era chegar em sala de aula, na segunda de manhã, com tudo pronto.

Ainda assim levei umas duas semanas para pegar o passo da turma. Cometia muitos erros, precisava corrigir, e ainda estava tentando me familiarizar com a rotina e o ritmo das aulas.

Na terceira semana a professora reparou que assim que ela lançava as atividades eu rapidamente acessava e fazia o mais breve possível. Ela começou a lançar todas as atividades da semana seguinte na quinta ou sexta-feira anteriores. Para mim aquilo foi o céu! Eu tinha de sexta a segunda de manhã para fazer TUDO. E eu levei isso muito a sério, sem comprometer as horas sabáticas e o tempo com a família. Ou seja, aquele horário livre da meia noite às 6 da manhã, foram bem aproveitados.

Eram dois meses de curso, e minha contagem regressiva era meu combustível. Tanto esforço e pouca horas de sono não iam me matar, mas só a ideia de reprovar e ter de fazer tudo me novo, aí sim já me matava por dentro. Dei o meu máximo. Em algumas semanas eu estava voando! A professora começava a falar, eu já sabia onde ela queria chegar, por isso a minha interação em sala de aula era muito mais eficiente.

Passei com a melhor nota, não só da turma, mas de alguns anos pra cá ninguém tinha apresentado um desempenho como aquele. Diretores dos cursos de mestrado da universidade me procuraram para saber se eu não gostaria de fazer o programa que eles ministram. UAU! Que sensação de dever cumprido. Que alívio. Além da prova final do meu curso fiz uma outra, “só de alegre”, era uma outra proposta de avaliação, desconhecida pra mim. Adivinha? Pois, não é que eu passei também?!

Agora vou tentar pontuar meu sistema de estudos, porque eu tenho certeza que vai ser útil para muita gente que vive correndo atrás da agenda do professor que nem louco, e acaba se tornando escravo da mesma. Com esse sistema, você vai mandar na sua agenda, sem sufoco, sem comprometer lazer e família, e ainda vai dar uma guinada no seu rendimento, notas, participação em sala de aula, e as aulas vão se tornar muito mais interessantes para você.

Chegue antes do professor

Estude o conteúdo com antecedência 

  • Leia o conteúdo programado antes da aula em que o mesmo será apresentado pelo professor. Grife as partes mais importantes, faça um resumo, e escreva as dúvidas que surgirem ao longo do processo para tirá-las em sala de aula.

Adiante as atividades de casa 

  • Adiante as tarefas apresentadas no livro, exercícios, Quizzes, pesquisas – ainda que o professor não venha a pedir.

Oriente-se pelo planejamento de aula 

  • Caso o professor tenha as aulas bem organizadas, vai provavelmente informar o plano de aulas. Isso vale ouro. Use o cronograma com antecedência. Grife as atividades que podem ser adiantadas e as semanas que você imagina que serão mais complicadas, organize-se para não ser pego de surpresa.

Seja dono da sua agenda

  • Esteja sempre à frente. Seja você o dono da sua agenda. Use os horários livres para adiantar atividades e estudos, quando o professor aparecer com uma atividade não programada, você vai poder executá-la com tranquilidade e foco. Faça um horário semanal e imprima, fixe num local bastante visível. Isso vai ajudar você a se organizar. Note onde estão suas prioridades, lazer e horas livres. Ocupe esse tempo livre com estudos antecipados.

Participe das aulas

  • Fazendo assim, você vai estar muito mais preparado para argumentar e compreender mais a fundo as explanações do professor. Ou seja, você não vai “boiar”, pelo contrário, tudo vai fazer sentido. Enquanto a maioria da classe vai ter uma visão superficial do assunto, seu cérebro já vai estar fazendo conexões mais complexas. Você já vai estar assimilando e memorizando o conteúdo.

Não esqueça o lazer

  • Insira em sua agenda exercícios físicos, descanso, atividades da igreja, lazer, tarefas prazeirosas pra você. Tudo isso vai ajudar na hora em que você mais vai precisar de concentração.

Avaliações

  • O estudo para as avaliações será mais intenso que o antecipado. Mas como você já está adiantado, vai poder gastar mais tempo nos seus pontos fracos ou ir direto naquele resumo fera que já está pronto. Vá nos pontos chave, o mais difícil, o mais importante, porque o básico você já sabe.

Redes Sociais 

  • Não. Você não precisa delas. Apague o aplicativo do celular quantas vezes forem necessárias 🙂

Prós e contras

  • Sua atividade vai dar uma movimentada em sala de aula. Vai motivar alguns colegas e desmotivar outros. Pode ser que a sua antecedência motive o professor a se antecipar ainda mais, isso só deve ajudar. As aulas também se tornarão muito mais interessantes. Ainda que meio sonolento, você vai se sentir totalmente envolvido. Sobretudo, a sensação de “sou eu que mando na minha agenda” vai aliviar o estresse. Sua vida vai ficar muito intensa, mas se organizando dessa forma, você vai tirar o melhor proveito de tudo. Se for para sacrificar alguma coisa, que sejam as horas de sono.
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