Novos modelos de escola

Introdução 

Tenho no coração um modelo de escola. Algo diferente de tudo, mas exatamente igual a gente. Um jeito particularmente nosso. Acho que é possível a prática de uma nova educação com todo o potencial da participação ativa da família, através da atuação dos pais como figuras-chave no desenvolvimento de seus filhos de forma integral e ininterrupta.

Um modelo que não visa o distanciamento da autoridade dos mestres, nem dos métodos atuais ou da ciência, assim como não desobrigada os pais de sua principal missão. Onde os princípios mais sólidos sejam práticos, onde a natureza seja uma extensão da sala de aula, onde haja espaço para o desabrochar e o aperfeiçoamento da individualidade. Onde amor não seja um tema piegas. Onde a Bíblia seja suprema, absoluta, compreendida em toda a sua magnífica inteligência, sem ter seu altíssimo grau de ciência subestimado a valores baratos.

Tenho esse modelo de escola no meu coração.

Conheci uma família em Bangkok, Tailândia, que viu no alto preço das escolas internacionais a oportunidade de criar seu próprio jeito de educar os três filhos. Outra família na Flórida, EUA, que desapontados com uma tremenda falha no sistema, decidiram eles mesmos educar em casa e notaram vantagens em diferentes segmentos. Nas Filipinas, num ambiente altamente favorável, uma terceira família optou por um caminho alternativo, escolheram entre o bom e o melhor.

Os exemplos são inúmeros. Exposta a tantas iniciativas originais, entre excelentes, extremas ou perigosas, fui conduzida ao desejo de sonhar com um modelo com o meu número, no formato ideal para a minha família. E, no avanço dos anos, vejo que isso tem se tornado possível ao mesmo tempo em que o sistema formal parece estar encurralando muita gente a um beco sem saída.

Na intenção de informar, apresento nesta série algumas propostas inovadoras como a Desescolarização (Unschooling), Escola Desconstrutiva, Ensino Domiciliar (Homeschooling) e Educação Alternativa. Além de conhecer esses métodos, alguns muito populares, apresento ainda as filosofias que existem por trás deles e a implicação jurídica da prática dos que exigem certa manobra judicial.

Sobretudo, o importante é reconhecer a necessidade de acompanhar os métodos praticados nas escolas onde nossos filhos passam a maior parte de seus dias. E cuidar para não apenas terceirizar por completo a educação do nosso mais precioso tesouro.

Escola desconstrutiva

:: Escola sem cara de escola ::

Esse é um tipo de escola totalmente diferente do convencional. É uma instituição regularizada, atende todas as exigências legais como qualquer outra escola tradicional, porém, com uma pedagogia bem diferenciada. Não existe agrupamento por sala ou idade. Não existe apenas um professor responsável pelo aprendizado do aluno. Não existe calendário de provas, na verdade não existem nem as avaliações convencionais.

Depois de mencionar o que uma escola desconstrutiva não tem, vamos entender o que ela tem. Os alunos iniciantes, vindo de outras escolas ou os mais novinhos, aprendem a lidar com a coletividade. O processo de aprendizado passa por três etapas:

  1. Iniciação
  2. Consolidação
  3. Aprofundamento

O aluno escolhe o que ele quer estudar e com quem. A partir daí, em grupos, que incluem colegas de diferentes idades, eles pesquisam na biblioteca, internet ou mesmo fora da escola com entrevistas e pesquisas de campo, até perceberem que dominam o assunto. É aí que eles procuram os professores, indicam que estão prontos para terem seus conhecimentos avaliados e a maneira como gostariam de ter seus conhecimentos analisados. Os estudantes podem sugerir uma redação, por exemplo, projeto, apresentação ou outros métodos para demonstrar seu aprendizado.

Todos os alunos estudam com todos os professores, que operam mais como tutores do que ensinadores de certo tema. E os mesmos professores devem acompanhar o aluno por vários anos consecutivos. O ensino parte das perguntas para as respostas, e não o inverso como no processo tradicional. O que altera necessariamente o papel do professor em sala de aula, que tradicionalmente apresenta o conteúdo previsto no currículo pedagógico, e ao final do ciclo avalia os alunos de uma só vez.

É possível encontrar murais pela escola, onde alunos colocam seus nomes e solicitam ajuda de colegas para aprender determinada matéria, de eletroquímica ao aprendizado de violão, por exemplo.

Os estudantes tem suas atividades e pesquisas registradas em seu portfólio, que pode ser acompanhado pelos pais, que tem participação na trajetória de seus filhos. Eles são convidados a participar de reuniões que tratam de diferentes assuntos, e sua participação é muito encorajada. Em alguns casos, existe uma caixa dos “segredos”, onde os pais mais tímidos colocam suas observações e perguntas, que são igualmente consideradas.

Até o momento são conhecidas três instituições públicas brasileiras que operam nesse modelo. Todas localizadas no estado de São Paulo, começando pela Escola Âncora, na cidade de Cotia. Assim como a Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, desde 2004, e a Escola Municipal Presidente Campos Sales, desde 2008. Além disso, é conhecido que a base constituída na Escola Ponte, em Portugal, por José Pacheco, é a fundamentação dessas instituições. Após desenvolver o projeto Ponte por 30 anos em Portugal, Pacheco mudou-se para o Brasil e tem assessorado essas e outras propostas no país.

“Todos ensinam e aprendem ao mesmo tempo”, afirma Pacheco. Para ele o conceito da incompetência ou do desaprendizado é essencial para o constante desenvolvimento do ser humano. O modelo de Pacheco é baseado na ideologia Espírita. Segundo ele, o método foge do fundamentalismo pedagógico e ancora seu método em três pilares:

  1. Autonomia
  2. Responsabilidade
  3. Solidariedade

 

Desescolarização

:: O fim da escola ::

Desescolarização ou unschooling nada mais é do que tirar os filhos da escola. Mas tirar pra valer. Diferente da Educação Domiciliar, ou Homeschooling, os pais querem distância de todas as regras do estilo de vida escolar, sem exceção. Segundo a FOLHA, os casos estão presentes entre famílias de classe média e alta que escolhem tirar os filhos das escolas, ou nem chegam a matriculá-los.

Um dos casos mais conhecidos da desescolarizacao no Brasil é o da mãe Ana Thomaz, que vive num sítio a 90km de São Paulo. Ela foi surpreendida por seu filho que, aos 13 anos, pediu para sair da escola, afirmando que sentia algo dentro dele que dizia do desejo por fazer algo diferente. Ele se tornou mágico. Ana afirma que suas duas filhas caçulas aprenderam a ler e escrever sozinhas.

A rotina de um lar “desescolarizado” é não ter rotina. São poucos os compromissos fixos, como uma refeição diária que reúne toda a família, por exemplo. A “auto-responsabilidade” é o objetivo pretendido, as crianças precisam desenvolver sua força de iniciativa, em vez de esperar por um adulto para lhes dizer o que ou quando fazer.

 

Educação Alternativa

:: Diferentes maneiras de fazer escola ::

Nesta categoria se encaixam o método Montessori, Pedagogia Waldorf e outras. Essas são técnicas diferentes usadas para promover o ensino e avaliar o desenvolvimento dos alunos.

Montessori

A criança define seu próprio ritmo de aprendizado. Maria Montessori e outros desenvolvedores da pedagogia criaram materiais didáticos que apelam à curiosidade da criança, e à medida que ela vai interagindo com essas ferramentas, e os demais colegas, vai avançando em conhecimento.

O agrupamento dos alunos não é feito exatamente por idade, mas aproximadamente. Por exemplo, crianças de 1 a 3 anos de idade convivem juntas, assim como as crianças de 3 a 6 anos, e assim por diante.

Outro ponto diferencial é o currículo, que trabalha de forma multidisciplinar. É possível, portanto, trabalhar música e matemática em conjunto. Ao professor cabe observar, caso o aluno não se interesse em avançar cabe ao tutor descobrir porque o aluno tem receio de arriscar e, assim, buscar trabalhar essa fragilidade com o estudante.

O ensino Montessori contribuiu com a formação da Pedagogia Espírita e, portanto, alinha-se com a mesma.

Waldorf

O currículo nas Escolas Waldorf é desenvolvido em bases antropológico/antroposóficas, tendo em vista a evolução física, emocional e espiritual do ser humano. A pedagogia Waldorf prioriza o desenvolvimento da criatividade, coordenação motora e a da capacidade de reflexão. Não acontece de um aluno repetir de ano, e não são usadas notas como método usual de avaliação.

Histórias, contos de fada, teatros, canções, dramatizações e até a Bíblia são usadas para alimentar a fantasia e a criatividade das crianças. Brincar livremente, sujar-se, e a espontaneidade nas atividades da vida diária são estimuladas de acordo com a idade das crianças. É possível, nesse modelo, que alguma criança demore mais a aprender a ler e escrever, que numa escola tradicional. Já que esse não é o principal objetivo dessa escola.

“Nosso mais alto empenho deve ser o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas cabeça, coração e mãos”, definiu o alemão, Rudolf Steiner, criador do sistema. Steiner criou essa metodologia para potencializar o ensino dos filhos de um empresário de Sttutgart, Alemanha, dos quais, Steiner, era professor. É uma pedagogia bem típica alemã. Onde os alunos aprendem a questionar, e não são qualificados apenas ao “sim, senhor”. As escolas Waldorf conduzem os alunos ao pensamento autônomo e livre. O ensino propõem integralidade, onde a razão, emoção e iniciativas são trabalhados em simultâneo.

Educação Domiciliar / Homeschooling

:: Mommy is the boss::

Este, nada mais é que do que o ensino em casa. A mãe, em geral, é a professora. Acontece de o pai ensinar também, e em alguns casos os pais contratam tutores para matérias específicas. As variantes nesse modelo são imensas, visto que cada família pode gerar um novo estilo. Por isso, vamos tratar com mais detalhes deste método num post futuro.

Modelos Internacionais

Você confere aqui exemplos de escolas espalhadas pelo mundo que ganharam notoriedade internacional.

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2 comentários sobre “Novos modelos de escola

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