A escolha da escola

Meu Noah, 4 anos, vai para a escola ano que vem. O que acontece em quase a totalidade das vezes é a família escolher uma escola muito bem recomendada, localizada adequadamente à rotina da família. Essa coisa de escolher a primeira escola é realmente algo importante. A gente quer, praticamente, doutrinar cada funcionário na arte de como lidar com nosso filho.

Ele vai aprender coisas erradas, vai aprender o que eu jamais ensinaria (nos aspectos bom e ruim), vai ter amiguinhos injustos (e seus primeiros melhores amigos), pode ser mal interpretado pela professora (talvez seja o preferido), e por aí vai. Isso se chama começar na escola. Quem nunca?

  Como escolher

Eles dizem: anote todos os aspectos que considera numa boa escola. Visite. Leve seu filho lá. Avalie a qualidade do ensino. Considere preço, localização e horários. Não deixe de ver o estilo de vida dos demais alunos, religião, status social, pretendendo facilitar que seu filho não se sinta inferior ou demasiadamente diferente.

A verdade é que existe uma infinidade de escolas, e nem sempre é possível fazer a matrícula na escola que desejamos para nossos filhos. Pelas exatas razões ditas a serem consideradas na escolha.

No Brasil, ninguém imagina uma escola muito diferente. Todas, salvo o extraordinário, são assim, horário para cada aula, todo mundo senta na cadeira e presta atenção no professor. Para casa ficam algumas tarefas, e  não prestar atenção na aula ou não fazer as atividades determinadas implica em notas baixas nas avaliações.

Mas sabia que existem escolas totalmente diferentes pelo mundo?

Na Suécia, a considerada escola mais incrível do mundo, não tem salas de aula. Não tem horários para as classes, nem notas. Existe um espaço super bacana, onde as crianças têm acesso a computadores e aos professores. Mas elas mesmas é que procuram o conhecimento a partir de seu próprio interesse e curiosidade. Podem fazer pesquisas em grupo – quando aprimoram as capacidades de conversação, liderança e respeito – ou sozinhas. Essa é a Vittra.

Aí você imaginou um monte de riquinhos loirinhos, olhos azuis, pele cintilante e roupas feras. Mas no México, na fronteira com os EUA, num contexto social totalmente desprivilegiado, numa cidade tomada pelo narcotráfico, um cara decidiu fazer uma escola totalmente nova. Uma tentativa de ter o interesse dos alunos e fazer a diferença. Ele pesquisou e determinou que o conhecimento não deveria ser uma mercadoria passada de professor pra aluno, mas algo que vem do interesse e exploração do próprio aluno. Assim ele construiu a Escuela Primaria José Urbina Lopez. Esse mesmo cara, Sergio Correa Juárez, depois inventou de fazer uma escola sem professor. Deixou os alunos diante de computadores e eles rapidamente estavam interagindo e aprendendo coisas novas. Isso aconteceu numa favela de Nova Délia, Índia. 

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Noah em sua primeira experiência escolar

Que tal uma escola onde as crianças têm respostas para seus infinitos “porquês”? Essa é School of Life (tem uma no Brasil). Lá elas apresentam seus dilemas e aprendem sobre filosofia, psicologia, artes visuais e tal. O método é do filósofo e escritor suíço Alain de Bottom. Dizem que as crianças aprendem a lidar com os “dilemas do ser humano”. Fiquei tensa aqui só de falar dessa escola. ui.

E a pedagogia Waldorf? Ouvi falar dessa através de uma super entusiasta, a autora do blog Antes que eles cresçam. Um alemão, Rudolf Steiner, criou essa metodologia para potencializar o ensino dos filhos de um empresário de Sttutgart, dos quais, Steiner, era professor. É uma pedagogia bem típica alemã. Onde os alunos aprendem a questionar, e não são qualificados apenas ao “sim, senhor”. As escolas Waldorf conduzem os alunos ao pensamento autônomo e livre. O ensino é integral, onde a razão, emoção e iniciativas são trabalhados em simultâneo.

Fui pesquisar mais a fundo e descobri que a Waldorf tem um embasamento espírita. E os alunos consideram o aprendizado valioso porque não seria aproveitado “somente” nessa vida, mas nas possíveis novas vidas (conforme sua crença).

Outro, que me parece mais popular no Brasil – mas super novidade para mim – é o método Montessori. Maria Montessori, em 1907, elaborou um conjunto de teorias, práticas e materiais didáticos que acompanham o amadurecimento da criança. O método traça perfis de aprendizado, considerando a individualidade de cada aluno, e aplica a melhor estratégia, considerando também a faixa etária. Na prática é assim: eles misturam idades diferentes (5 a 7 anos por exemplo) numa mesma sala de aula, fazem atividades lúdicas e promovem um ambiente familiar na sala de aula, onde os professores se misturam com os alunos. Essa metodologia é aplicada no ensino público holandês.

E daí, minha gente?

Apresentei para vocês algumas das escolas mais incríveis do mundo, e sabe qual era sensação no meu coração? A mesma de quando eu era adolescente e imaginava “em qual rua minha vida ia encostar na” do meu esposo. Eu teria de mudar de país para encontrar o cara certo? Onde ele estaria? Como eu saberia que ele seria a pessoa certa pra mim e eu pra ele? Tantas opções e eu só tenho uma chance pra jogar!

Aconteceu de a gente decidir mudar de país ano que vem. Uma coisa muita mais paulatina que a frase anterior. Então, qual foi nosso ponto de partida? A escola do Noah. Pesquisamos, visitamos, e oramos (muito). Escolas públicas, escolas públicas com professores cristãos, escolas privadas, qualquer escola na cidade poderia ser a escolhida. Mas a escolhida não foi a maior, não foi a melhor, nem a mais famosa, nem a do centro da cidade, nem a mais barata.

Às vezes acho que a gente confunde inverte, meio sem querer mesmo, sobre:

O melhor filho para a escola X A melhor escola para o meu filho

Criamos a expectativa de que nosso filho se encaixe no perfil exigido pela escola mais incrível de todas, desejamos que ele se torne um dos alunos notáveis. Corremos o risco de começar a pesquisa pelo inverso. Sendo que tudo parte da própria criança.

Sou muito agradecida pela escola que encontramos. Não sei até quando será a ideal, mas com certeza não haveria melhor opção para a sua primeira escola. Uma escola que ensina valores iguais aos que ensinamos em casa, que ensina o mesmo Deus, a mesma ideia sobre saúde e alimentação, as mesmas crenças. Uma escola de poucos (bem poucos) alunos, onde cada um é um indivíduo especial.

Onde vamos morar, o ano letivo começa em agosto, ou seja, de janeiro a agosto, meu filho vai estudar um tipo de preparatório para a classe. Exatamente na fase em que vai se adaptar aos novos idioma e cultura.

Essa escolinha apresenta algumas semelhanças ao método Montessori, onde as classes têm um ambiente familiar, a professora é muito próxima, existe um clima de cooperação entre os alunos. Crianças de diferentes idades aprendem juntas na mesma classe, são responsáveis umas pelas outras.

Entre escolas tão diferentes, me sinto extra feliz diante da certeza de matricular meu filho na melhor escola para ele. Como se Alguém tivesse preparado tudo, tempo, espaço, pessoas e métodos antes da gente se dar conta da importância disso tudo.

Graças a Deus.

Mais uma vez Ele foi extravagante em Sua bondade conosco.

PS.: A foto desse post é de uma outra escola, onde tivemos uma experiência muito bacana – mais  no livro 😀
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